O futuro chegou.
Olá!
Esperei por setembro para escrever sobre isto. Há muitos meses que o assunto ocupa a minha mente. Refiro-me às ANÁLISES DE COLORAÇÃO PESSOAL.
Em janeiro, partilhei aqui que tinha deixado de acreditar nesta ferramenta.
Hoje contextualizo e sintetizo tudo nesta newsletter que foi pensada para profissionais e para leitores curiosos.
No final deixo-lhe 3 dos meus grandes motivos e a minha abordagem para o futuro.
Antes de nos debruçarmos sobre o tema, faz sentido uma breve explicação. (Se já conhece a dinâmica, passe à frente.)
O que é uma análise de coloração pessoal?
É um processo de análise que permite identificar que cores favorecem o tom de pele, cabelo e olhos, dando à face um ar viçoso e saudável.
Como é feita e para que serve?
Num encontro presencial, o consultor faz uma comparação de tecidos coloridos junto ao rosto e observa os efeitos das cores. Assim, vai identificando características como a temperatura da pele, o nível de contraste entre tez, cabelo e olhos, entre outros aspectos. Os resultados podem ter nomes diferentes, consoante o método de análise usado. São entregues ao cliente no final em forma de cartela ou paleta de cores.
Quando as cores não provocam atrito junto do rosto ou não se destacam mais do que este, é a beleza do cliente que sai favorecida. Através de um efeito óptico de repetição de características, realçam-se os melhores traços e contornam-se imperfeições. Pode trazer mais harmonia visual à relação rosto/cor.
O teste tem o seu valor e, para algumas pessoas, ajuda na compra de peças de roupa ou acessórios.
Esta técnica faz parte dos cursos da Blossom?
Sim, numa perspectiva autoral. Acredito que o conhecimento é valioso e defendo que entender as teorias clássicas faz parte da formação base de qualquer consultor. A partir daí, tenho mais a acrescentar.
(IMAGEM COLOR ME BEAUTIFUL, 1984, YOUTUBE)
DO PASSADO PARA O PRESENTE: A moda da coloração pessoal
As análises de coloração pessoal estão na moda. Os métodos sazonais, tanto o tradicional como o expandido, viraram celebridades. No Instagram e no Tik Tok há milhares de fotos e vídeos de paletas de cores, tecidos multicoloridos e comparações de tons que mostram os benefícios de determinadas matizes perto do rosto.
A repercussão destas metodologias dos anos 80 e 90 massificou-se de tal forma que, além de cansativa, virou mais um cliché na já tão empoeirada forma de comunicar a profissão.
A MINHA VISÃO
O meu percurso académico começou com uma licenciatura em design de moda onde aprendi, entre muitas coisas, que TODAS as formas de expressão visual podem ser válidas. Dito de outra forma, as regras, os certos e os errados não existem.
É claro que é a soma de CONTEXTO + PERCEPÇÃO que acrescenta SIGNIFICADO ao que vestimos - Hello semiótica, história, psicologia, estética, antropologia e sociologia! Para mim, o que adiciona profundidade à moda, são estas disciplinas. Quando se fala em VESTIR, tornam tudo mais interessante.
Há 20 anos, iniciei a minha vida profissional no mundo do styling e da produção de moda. Vestia pessoas para revistas, publicidade, cinema ou eventos. Fossem modelos, actores ou figuras públicas, percebi cedo que a relação que cada um estabelece com o que veste não cabe em nenhum padrão. Não existem fórmulas.
One size DOES NOT fit all.
É desta experiência académica e profissional que trago a minha visão para a Blossom e para tudo o que se passa nos cursos e nos programas de imagem pessoal.
Nunca fui uma purista dos métodos de coloração tradicionais e adaptei-os, tal como fiz com outras teorias clássicas da consultoria de imagem.
Nas cores, defendo um aconselhamento aos clientes que seja amplo e mais flexível.
PRESENTE
Quem passa pela Blossom sabe que nunca concordei com a ideia de pedir a alguém que tapasse o cabelo ou que se desmaquilhasse para identificar a sua “verdadeira beleza”. No meu entender, essa abordagem é invasiva e não parte do princípio certo.
O conceito de beleza no universo da moda é a coisa mais relativa do mundo. Quantas versões de beleza existem?
Identificar a verdadeira beleza como estratégia para evitar “erros” na escolha de cores de roupa, cabelo ou maquilhagem, a meu ver, é um conceito limitador. Baseia-se apenas numa perspectiva: usar junto ao rosto, as cores que repetem as suas características naturais.
E o que acontece às escolhas conscientes que tomámos ao longo da vida e ajudaram a construir a identidade visual do agora?
Para muitas clientes, o seu rosto desmaquilhado contrasta com a visão que têm de si próprias e da persona que assumem perante o mundo. O que dizer então de uma cor de cabelo que já interiorizámos como nossa, mesmo que esteja a anos-luz do tom que tínhamos em criança. Food for thought.
Não considerar estas perspectivas e ir à procura de uma “naturalidade” que já não existe, sem questionar primeiro o cliente, para mim, não tem sentido.
Vejo a coloração pessoal como uma ferramenta com benefícios interessantes porém, relativos. Quem define a sua importância não tem de ser o consultor, mas sim quem o procura.
A teoria é densa e, na maior parte das vezes, o cliente não tem interesse. Por experiência profissional, percebo que para alguns o assunto é desconhecido. Para outros, uma mera curiosidade.
É claro que também há situações em que se gera entusiasmo. Abrem-se portas a novas experiências.
Perceber que características das cores dão ao rosto um ar viçoso pode ter um lado divertido e útil.
Não podemos é esquecer-nos de que esta é apenas uma perspectiva.
A coloração pessoal muda vidas? Claro que não.
Sejamos mais razoáveis e menos instagramáveis.
Nos últimos anos, ao observar a divulgação massiva desta ferramenta como se fosse o epicentro do trabalho em consultoria, dei por mim a questionar a entrega dos resultados e, acima de tudo, a padronização de todo o processo.
Após ter criado a metodologia que partilho no curso de Linguagem Visual da Blossom, começou a fazer-me cada vez menos sentido continuar a trabalhar com estratégias de análise de cor estandardizadas.
SURGE A EPIFANIA. PRECISAMOS DE UMA NOVA ABORDAGEM.
O FUTURO
Se me baseio em 3 pilares para analisar o ESTILO:
1.GOSTO PESSOAL + 2.EMOÇÕES + 3.COMUNICAÇÃO - parece-me lógico trazê-los para as análises de coloração.
Por estar tão desencantada com a maneira simplista com que se tem tratado o assunto, repensei a abordagem e criei a metodologia do novo curso de LINGUAGEM DA COR.
Inviabiliza conhecimentos ou ferramentas anteriores? Não, aprofunda-os e traz uma nova visão.
Deixo-lhe 3 dos principais motivos que me trouxeram até aqui.
PARCIALIDADE
Os métodos tradicionais de análise de coloração pessoal são uma estratégia parcial, (ou deveria dizer incompleta?) para trabalhar o tema da Cor no universo do Estilo pessoal. Baseiam-se na observação dos efeitos da cor junto ao rosto. E o resto?
2. SUBJECTIVIDADE, INSEGURANÇA E ESPÍRITO COMERCIAL
Além da componente de subjectividade inerente a cada teste - que deixa muitos profissionais desconfortáveis e inseguros na análise - os consultores têm de fidelizar-se à compra de cartelas de cor padronizadas para entregar os resultados aos clientes.
3. RELAÇÃO EMOCIONAL COM A COR
À semelhança do que acontece com o estilo, a escolha das cores que dele fazem parte é influenciada por contextos, gostos e emoções.
Cada um de nós tem uma assinatura de estilo e, consequentemente, uma assinatura cromática que é fruto de muitas histórias.
Ambas evoluem e podem mudar consoante a nossa vontade e/ou estilo de vida.
Trazer novas visões, questionar o STATUS QUO da área e desenvolver um pensamento crítico são valores centrais da Blossom.
Defendo que o conhecimento, a curiosidade e a abertura à mudança podem levar-nos mais longe. Pode ler o MANIFESTO DA BLOSSOM aqui.
Recorrendo ao sistema icónico de codificação e lançamento de tendências de Cor - a PANTONE - o curso de Linguagem da Cor traz uma nova abordagem.
Além de dar autonomia aos formandos para produzirem as suas próprias cartelas, permite-lhes entregar resultados made-to-measure a cada um dos seus clientes.
Não tenho nada contra o pronto-a-vestir mas, num tempo em que a autoexpressão está na ordem do dia, defendo que a abordagem do consultor tem de ser como a Alta Costura - individualizada e com resultados desenhados cliente a cliente.