Moda, palavras e coincidências
Olá!
Há uns dias, dei por mim a pensar em situações que me foram acontecendo na vida, a partir do momento em que aprendi a escrever.
Deixo-lhe um resumo de 36 anos de histórias que cruzam moda, palavras e coincidências.
Moscovo,1987: Sentada à mesa de jantar, acreditava que aos 7 anos, com o meu vocabulário diminuto e técnica infantil, poderia ser escritora. Estava a escrever sobre um patinho quando olhei para a TV e vi um desfile. Provavelmente Lacroix. Fiquei vidrada. Decidi que não queria escrever mais. A Moda seria a ocupação do meu futuro.
___
Sines, 1990: A professora de português anuncia um concurso. Quem escrever o melhor conto em cada turma, vai almoçar com a Alice Vieira. Lembro-me até hoje desse encontro.
Sines, 1991: O professor de música pede-nos para redigir um poema. O favorito será musicado pela Amélia Muge. Escrevi sobre mãos e os meus versos receberam uma melodia.
____
Lisboa, 1998: Mostrei uns poemas que escrevia a um amigo músico. Pediu-me para lhe entregar um. Traduziu para inglês. Gravou um single e ganhou um concurso.
___
Lisboa, 2004: Escrevia artigos para a Lux Woman quando fui assistente de produção de moda. Sem grande noção, formalizei aí a relação moda/escrita.
Lisboa, 2008: Comecei a pôr por escrito aquilo que viria a ser a Blossom. O conceito, os cursos, os serviços. Ainda tenho os blocos de notas guardados. No ano seguinte, inaugurei-a.
___
Lisboa, 2010: Criei o primeiro blog da Blossom. Escrevia duas vezes por dia. A revista Máxima e a Louis Vuitton juntaram-se e convidaram as novas bloggers daquela altura para uma entrevista. Fiz parte desse grupo.
___
Lisboa, 2012: Queria escrever um livro. Tinha pouco tempo. Desafiei a Margarida e a Cátia do Style It Up para entrar neste projecto. Coincidência das coincidências, uma editora contactou-nos e publicámos o “O que vou vestir hoje?” no ano seguinte, pela Presença.
Lisboa, 2014: Fiz uma pós graduação em Estudos sobre as Mulheres. Escrevi muito e muito do que escrevi tornou-se conteúdo nos cursos da Blossom.
___
Barcelona, 2016: Comecei a trocar cartas de amor em papel com um namorado. Estava muito apaixonada e escrevia à mão. Trocámos várias. Lembro-me até hoje da sensação de esperar pelo correio naquele misto de ansiedade e encantamento.
Lisboa, 2023: Ressuscitei o blog. Voltei a apaixonar-me pela escrita, a reencontrar-me com leitoras antigas e a conhecer novas. Uma delas, a partir das ideias de um dos meus textos, convidou-me para inaugurar uma série de talks no Seminário maior de Coimbra no mês passado. Foi um encontro marcante.
Escrevo por necessidade. Todos os dias.
Ter uma empresa implica saber (ou tentar) tocar mil instrumentos ao mesmo tempo. Sejam e-mails, conteúdos para redes sociais, newsletters, cursos ou clientes, escrever é prática DIÁRIA.
É fácil? Para mim, nem sempre. E para si?
Sofro de perfeccionismo e estou a tentar curar-me desse flagelo. Enquanto não acontece, vou escrevendo o melhor que sei.
Procuro encurtar frases, simplificar conceitos e ser concisa. Gosto que as minhas linhas de pensamento tragam novas perspectivas a quem as lê. Sem pesar.
Escrever tem duas coisas que adoro.
Aproxima-me de si. É este meio bonito que nos conecta e mostra-nos o que temos em comum. Ou aquilo em que discordamos. E a vida serve para quê se não for para nos relacionarmos uns com os outros? Para nos descobrirmos e deslumbrarmos com o que podemos partilhar?
Permite-me organizar pensamentos. Posso transpor as 1001 ideias diárias para algo palpável que depois materializo. Seja um curso, uma newsletter, uma carta de amor, um diário ou um plano de viagem. Escrever aproxima-me dos meus sonhos. Faz-me ter noção dos meus objectivos e permite-me perspectivar o futuro.
Sei que as minhas incertezas na arte da escrita não são só minhas. Afectam a maior parte das pessoas que também têm de comunicar o seu trabalho. Também lhe acontece?
Foi por isso que depois de ler o livro “Dar a volta ao texto” do Martim Mariano, decidi que um dos temas da Arena seria este - Como podemos escrever melhor?
O Martim é o meu convidado no dia 24 de Novembro para um workshop de técnicas de escrita.
Conto consigo?
Até breve,
Dora