O gosto dos outros e 4 sugestões para consultores de imagem
Hoje escrevo-lhe sobre um tema recorrente no meu dia-a-dia - o gosto pessoal.
Com base na minha experiência como consultora, formadora e mentora de consultores de imagem, partilho a minha visão e deixo 4 sugestões para quem estuda ou trabalha em consultoria de imagem.
A tendência natural quando se começa a estudar esta área é imaginar que vamos mudar o estilo do cliente, de preferência, um bocadinho à nossa imagem.
Quando alguém procura um serviço de consultoria, independentemente do seu objectivo, traz consigo a sua própria noção de beleza e o seu contexto estético - ou seja, um gosto próprio que, na maioria das vezes, é muito diferente do nosso. Como profissionais, é importante termos um olhar isento de enviesamentos ou preconceitos.
O que um cliente espera de nós é que consigamos entendê-lo, reconhecer as suas particularidades e perceber a fundo o que é que o deixa confortável quando o assunto é vestir. Ninguém quer sentir-se noutra pele que não seja a sua e ninguém quer roupa que lhe retire a identidade. Seria igual connosco, não é?
O trabalho de um consultor de imagem vive de códigos visuais, de empatia, de observação e de muita criatividade.
É preciso sair daquela que é a nossa visão do belo para que consigamos assimilar as particularidades do gosto do outro e as suas diferentes dimensões.
Quanto maior for a nossa cultura visual e o nosso conhecimento de moda - e aqui não me refiro a tendências da estação, de Instagram ou à última colecção da Zara, mas sim a um conhecimento alargado do mercado - mais preciso será o resultado que entregamos a um cliente.
Sempre que começo um novo curso, incentivo os alunos a descobrir novas marcas e a partilhá-las e desenvolvo uma série de exercícios para treinar a observação do estilo dos outros.
Para isso, os recursos são vários mas, posso dizer-lhe que os 31 moodboards de formas de vestir do curso de Linguagem Visual de Womenswear são uma ajuda preciosa. O feedback das alunas/consultoras sobre os atendimentos com estes materiais tem sido extraordinário. Os moodboards abrem a porta a leituras mais profundas e ampliam as hipóteses de personalização do trabalho.
Materiais do curso de Linguagem Visual-Womenswear
E é claro que, ao observar aspectos nos outros, inevitavelmente, cada aluno começa a conhecer-se melhor a si próprio. A partir daí, gosto de aplicar uma estratégia pedagógica que vou partilhar consigo.
Se trabalha nesta área, convido-o a pensar no seguinte:
Sempre que entrega um trabalho a um cliente, já se questionou se os looks que está a propor não serão mais a sua cara e até adoraria usá-los?
Se a sua resposta foi um tímido “Sim”, deixo-lhe 4 sugestões para poder contornar essa situação.
1 - Conheça-se. O que caracteriza o seu próprio estilo? Que peças são a sua cara? Tendo as respostas, consegue fazer uma análise mais crua sobre aquilo que está a entregar ao cliente, fazendo os ajustes que considerar necessários. Se sentir que precisa de ajuda, consulte aqui as propostas da Blossom.
2 - Humildade é bem-vinda. Não considere que o seu gosto é melhor do que o do seu cliente. É diferente. Saber adaptar-se à diferença além de ser o nosso papel como profissionais, é refrescante.
3 - Tenha curiosidade. Amplie os seus conhecimentos para que possa expandir a sua visão. Visite lojas, descubra novas marcas online, observe as pessoas na rua. Procure sair da sua zona de conforto e encontrar beleza nos detalhes inesperados.
4 - Alimente a sua criatividade. Visite museus, veja filmes de outras épocas, leia sobre temas complementares, adquira um novo hobby. A inspiração vem de onde menos se espera.
Se tiver vontade de saber mais sobre os cursos da Blossom, partilho consigo a agenda, aqui.
Espero que estas reflexões lhe sejam úteis a adoraria receber o seu feedback.
Dora