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Estou bem assim? O que é que mudava em mim?

Quando digo a alguém que acabei de conhecer qual é a minha profissão, começo a contar o tempo até que surjam as duas perguntas do costume:

1 “Estou bem assim?” 2 “O que mudava em mim?”

“Diria que sim.” e “À partida, nada.” são habitualmente as minhas respostas, por ordem.

E as terceiras e quartas perguntas são: “Como nada?” “Está tudo certo aqui?”

E aí começo a explicar as bases do trabalho de consultoria de imagem.

1º – Não há certos ou errados. Há peças de roupa ou acessórios mais adequados a determinadas situações ou objectivos. E a seguir entram as minhas questões: Quais são os seus objectivos? O que pretende comunicar com a sua imagem? Como quer ser visto pelos outros? Do que é que gosta e o que o deixa desconfortável? Num universo tão grande de hipóteses, que sentido faria aconselhar peças que nada tenham a ver com o gosto do cliente?

2º – Não mudo nada sem que alguém me peça uma sugestão. E essa mudança não depende do meu gosto ou daquilo que eu imagino para aquela pessoa. Depende da sua zona de conforto, do seu gosto pessoal e do seu estilo de vida. E, acima de tudo, dos seus objectivos e desejos de imagem.

A confiança que os clientes depositam no meu trabalho é fundamental. E essa confiança só é merecida se a minha postura for, acima de tudo, de respeito e honestidade por quem está à minha frente. É fundamental procurar conhecer a pessoa porque o que faz sentido para uns, é impensável para outros e qualquer sugestão tem que ser TOTALMENTE personalizada.

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Do meu ponto de vista, a consultoria de imagem só faz sentido se for realista. O processo deve ser feito com base nas situações concretas do dia a dia de cada cliente (vida profissional, pessoal, momentos de lazer). Não cabe ao consultor projectar nas sugestões que faz ao seu cliente, um estilo de vida que não seja o dele. Quando aparecem transformações muito radicais em alguns programas sobre consultoria, assistimos à morte violenta da gata borralheira que usava fatos-de-treino, ténis e elásticos verde-alface no cabelo e ao nascimento rápido da princesa de stilettos, vestidos estruturados e smokey eyes. Podemos até gostar do resultado… mas, não nos devemos esquecer: é TELEVISÃO. É sonho. Não é a realidade. Apostaria como passadas duas semanas, a nova princesa estaria de volta aos velhos hábitos.

A vida real da maior parte das clientes nada tem a ver com saltos vertiginosos, com as últimas tendências de moda, com guarda-roupas de sonho ou peças caríssimas. E a consultoria de imagem também se faz para o público masculino. Cada vez MAIS, pelo menos na Blossom.

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Ainda há a ideia absurda de que o consultor de imagem, além de obrigar o cliente a deitar fora 90% do seu guarda-roupa, vai ridicularizar muitas das peças que encontra com aquela atitude snobe a que a TV já nos habituou. E como se não bastasse, ainda vai levar o cliente às lojas mais caras… Outra vez: ISTO É TV! E é triste. Não é a nossa realidade como profissionais.

Já me aconteceu muitas vezes, antes de iniciar um processo completo de consultoria de imagem, ter que desmistificar todos estes conceitos para depois poder explicar o que realmente vai acontecer. Acompanham-me? Aqui ficam as etapas.

  1. Perceber quais são as necessidades, motivações e objectivos do cliente através de uma conversa franca e de uma análise pormenorizada
  2. Compreender o estilo de vida e o gosto de cada pessoa de forma detalhada
  3. Analisar o que pode fazer sentido manter ou retirar do armário COM BASE NOS OBJECTIVOS DEFINIDOS. Mesmo aquilo que vai sair, não tem que ser doado ou deitado para o lixo. Pode ser “arquivado” para não atrapalhar as escolhas do dia a dia.
  4. Planear uma sessão de compras assertiva dentro dos valores que o cliente está habituado a gastar. E é claro que procuro mostrar sempre marcas novas. É também um processo de aprendizagem e descoberta para o cliente.
  5. Comprar o que é prioritário, de forma eficaz. Este momento tem que ser um prazer e não um sacrifício.
  6. Elaborar propostas de imagem para diferentes situações da vida do cliente com as peças existentes e com as novas.

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E depois de explicar todo o processo, costumo ouvir ainda: “Assim que me sair o euromilhões, vou contratá-la! Sim, porque isso deve ser uma fortuna, não é?”

Não, não é. Tem o valor que cada consultor considera justo para as horas de trabalho que vai desenvolver junto do cliente e para as horas de trabalho que vai ter longe do cliente ao elaborar uma proposta à medida. É importante contabilizar também os anos de experiência do consultor e entender a consultoria como um trabalho intelectual, assente em conhecimento especializado. Para os mais curiosos, os valores da Blossom estão todos aqui.  

Felizmente, tenho a sorte de trabalhar com clientes que além de compreenderem perfeitamente o meu trabalho, valorizam-no. Não há melhor sensação do que receber feedbacks sinceros sobre o processo de consultoria e a mudança (sobretudo interna) que provocou em cada pessoa.

Para mim, a consultoria de imagem é uma área apaixonante. Adoro trabalhar com pessoas. Gosto muito de descobrir aspectos da personalidade através da forma como cada cliente se relaciona com todo processo de vestir, com as suas escolhas e com a maneira como faz compras. Um guarda-roupa é um espelho claríssimo da pessoa que está à minha frente.

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Ao longo destes anos, tenho dividido esta paixão com centenas de alunos, através do curso de consultoria de imagem. Partilho experiências e aprendo. Vou conhecendo pessoas que gostariam de sentir este mesmo encanto pelo seu trabalho mas, confessam-me que a sua paixão é mesmo a moda. Que sempre foi… a minha pergunta é sempre a mesma: porque não arriscar? A vida é muito curta para vivermos conformados com escolhas que nos deixam infelizes, sejam elas quais forem. O meu desafio é que experimentem. Há uma nova edição do curso quase quase a começar. Juntam-se a mim?

 

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