A Elle francesa de Abril dedica a sua edição às mulheres gordas. A modelo Tara Lynn é a figura da capa e surge no interior da revista, nua, ao longo de um editorial.
Foram feitas algumas críticas nos media a esta produção, alegando que se a Elle é uma revista de moda, e dedica um editorial a mulheres plus size, porque não fazê-lo com a modelo vestida? Desta forma as leitoras poderiam perceber melhor como vestir-se se tivessem um corpo semelhante.
Parece-me que é pertinente esta abordagem, porque afinal é uma revista de moda!
No entanto, acho que é muitissimo importante, nos dias que correm, por questões de auto-estima, mostrar às leitoras que uma mulher gorda, com um corpo com muitas curvas, também pode aparecer nua numa revista, sem qualquer tipo de complexos.
As mulheres são sempre as suas piores críticas e inimigas, e pensam sempre que são maiores do que aquilo que são. Acredito que se mais revistas insistirem neste tema, e misturarem mulheres com diferentes biótipos (gordas, magras, altas, baixas, mais ou menos proporcionais e de diferentes idades), o resultado pode ser ainda mais interessante.
É claro que as revistas vendem um ideal de beleza que, para muitas mulheres é uma meta a alcançar! O problema é que os resultados, muitas vezes são inversos e as mulheres não encaram a beleza actual como uma ideia ou uma sugestão. Ficam obcecadas. Depois vem a frustração porque não conseguem o nível de perfeição que encontram nas revistas.
Acredito que TEMOS que nos sentir bem na nossa pele, com o nosso corpo e devemos sempre cuidar de nós, por uma questão de saúde e de auto-estima. Se não acreditarmos em nós e não aprendermos a valorizar todos os nossos pontos fortes, o caminho torna-se mais sinuoso e dificilmente vamos conseguir manter a auto-estima no lugar.
Temos um mercado imenso de produtos de beleza e de moda ao nosso alcance, a vários preços. Só temos que fazer as escolhas certas para que a nossa imagem saia a ganhar!
O que não temos é um Photoshop à escala humana, que possa fazer milagres directos sobre o nosso corpo.
Acredito que isso possa acontecer daqui umas boas dezenas de anos… mas, enquanto não acontece, o caminho só pode ser um, o da aceitação.



